:: início :: apresentação :: cinecríticos :: equipe :: agradecimentos


[español]

 

CineCríticos é um portal de entrevistas com críticos de cinema argentinos, brasileiros, cubanos e mexicanos. É fruto de investigação iniciada em 2006, na Cidade do México, juntamente aos estudos que deram origem ao livro “O Brasil imaginado na América Latina: a crítica de filmes de Glauber Rocha e Walter Salles”, Faperj / Contracapa, 2010.

Daquele estágio no exterior, realizado também em Buenos Aires e Havana, tive a oportunidade não somente de trabalhar junto a universidades e instituições – como a Universidad Autónoma Metropolitana, a Universidad Nacional de San Martín, a Cineteca Mexicana, a Filmoteca da UNAM, o Instituto Nacional de Antropología e Historia (México), o Instituto Nacional de Cine y Artes Audiovisuales (INCAA) argentino, o Instituto Cubano del Arte e Indústria Cinematográficos (ICAIC) e a Escuela Internacional de Cine y Televisión (EICTV) – mas de entrevistar críticos de gerações e estilos diversos. Destes, que escrevem para variados meios, dos restritos e acadêmicos aos massivos, destaco os seguintes nomes que compõem este espaço: da Argentina - Eduardo Antín, Eduardo A. Russo, Gustavo Noriega, Javier Porta Fouz, Luciano Monteagudo, Sergio Wolf, Silvia Schwarzböck; de Cuba - Alberto Ramos Ruiz, Dean Luis Reyes, Joel del Río, Luciano Castillo, Maria Caridad, Mario Naito, Tony Mazón; do México - Carlos Bonfil, Fernanda Solórzano, Javier Betancourt, Jorge Ayala Blanco, José de la Colina, Leonardo García Tsao, Nelson Carro, Rafael Aviña, Tomás Perez Turrent.

Com base em seus relatos e discursos, dei início a um mapeamento sociológico do campo da crítica cinematográfica na América Latina considerando os quatro países em questão, e, para tanto, somei ao trabalho entrevistas com críticos brasileiros, sendo eles: Andrea Ormond, Carlos Alberto Mattos, Cléber Eduardo, Daniel Caetano, Eduardo Valente, Francis Vogner dos Reis, Ismail Xavier, Jean-Claude Bernardet, José Carlos Avellar, Marcelo Janot, Marcelo Miranda, Marcus Mello, Pedro Butcher, Rodrigo Fonseca, Ruy Gardnier.

Das entrevistas aqui dispostas, captadas em diversos formatos tecnológicos, noto a importância dada mais ao conteúdo discursivo de cada crítico, como documento, do que propriamente à forma ou à estética das cenas, filmadas em variados ambientes. Todas as entrevistas têm, como material bruto, uma média de duas horas de duração. Para este portal, foram editadas em qualidade reduzida, devido à necessidade de uma melhor reprodução para a internet, em formato menor – de 20 a 30 minutos cada.

Como pauta das entrevistas realizadas ao longo de seis anos, tentei seguir um roteiro que apontasse questões fundamentais do métier, tais como: a formação do crítico, o que é crítica, quais as diferenças entre a escrita para meios massivos e restritos, o que seria um cinema nacional e latino-americano, qual o papel da crítica nesses países específicos, e qual o seu estado nos dias atuais em comparação a sua institucionalização nos anos de 1950/1960. Quanto a esta última questão, foram notadas distinções baseadas em certo modus operandi de uma nova geração, como consequência de um novo fazer cinematográfico. Tal fato incitou um deslocamento de perspectiva em direção a uma possível mudança do status autoral que pautou gerações anteriores. Coube então investigar se teria a “função-autor”, estabelecida nas décadas anteriores, se alterado e qual seria a sua pertinência na atualidade.

De todas as respostas obtidas e aqui disponíveis a pesquisadores, estudantes, aspirantes a críticos e público em geral, creio ser possível afirmar constatações relevantes, sendo a primeira e mais importante, a dificuldade (ou até mesmo certa impossibilidade) de se chegar a uma designação estrita sobre a instituição crítica. Nesse sentido, quem buscar definições unívocas ou precisas sobre o campo, muito provavelmente, se decepcionará. Uma segunda constatação está relacionada à configuração espacial escolhida, que compreende tanto sentidos de nação quanto sentimentos transnacionais à revelia de fronteiras ou separações políticas. Verifica-se, portanto, que o tema a respeito de uma latente “latino-americanidade” não se restringe aos campos das ciências sociais, mas é entendido por meio de múltiplas aproximações sociais e culturais pelo cinema e sua crítica. Finalmente, uma terceira constatação a se explicitar nos registros é a dúvida sobre um suposto fim da crítica. Como é possível conferir por meio dos relatos dos críticos há os fatalistas e os otimistas em relação ao tema. A maioria, contudo, crê que enquanto existir cinema existirá sua escritura analítica, seja ela “boa” ou “ruim” (e tais qualificações já fariam parte de uma outra questão).

A partir dessas e demais considerações, CineCríticos se pretende um acervo audiovisual sobre crítica cinematográfica na América Latina direcionado a investigadores e interessados em temáticas referentes a crítica, recepção de bens culturais, cinemas nacionais, América Latina e identidades culturais. Um projeto em progresso.

Que aqui e a partir de agora cumpra tal papel.

 

Eliska Altmann

Rio de Janeiro, março de 2013